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sábado, 19 de abril de 2014

Confiança no cuidado de Deus: dia das mães


O dia 12 de maio era o segundo domingo do mês, quando se comemora o dia das mães. Como no hospital somente é permitido um acompanhante por paciente, meu cunhado acompanhou minha irmã da noite de sábado para domingo e logo cedo minha mãe chegou ao hospital para ficar com ela e comemorar esse belo dia a seu lado. Antes de ocorrer o acidente eu e minha irmã já tínhamos combinado o presente que iríamos comprar para minha mãe e entregar juntas nesse dia. Mesmo após ocorrer o acidente, eu providenciei o presente.
Pela manhã fui à Escola Dominical na igreja e quando terminou combinei com meu marido que passaríamos no hospital para ver a possibilidade de subir no quarto e  entregar o presente. As visitas eram permitidas das 14h às 20h, mas como gostaria de ter um momento somente com as duas, queria visitá-la naquele momento, por volta das 11h30. No caminho fui orando pedindo a Deus que os funcionários do hospital pudessem entender a situação e me deixassem subir por alguns minutos. Quando cheguei à recepção, conversei com a atendente e felizmente ela deixou-me subir. Quando entrei no quarto foi uma grata alegria, pois não tinha comunicado às duas que eu iria. Foi um momento de grande festa e um grande privilégio poder ter esses momentos juntas!
Eu via nos olhos da minha mãe que aquele era o melhor dia das mães que ela passava ao lado de suas filhas.

Minha irmã recostada na cama do hospital, nossa mãe com o braço em volta dos ombros dela e eu lado de nossa mãe, todas sorrindo e elegantes.
Minha irmã, nossa mãe e eu no quarto do Hospital comemorando o Dia das Mães.
12 de maio de 2013.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Confiança no cuidado de Deus: milagre

A partir do dia 3 de maio o corpo da minha irmã começou a reagir e apresentar melhoras, de forma que o inchaço do cérebro não mais se desenvolvia. Quando médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e fonoaudiólogos entravam no quarto da UTI para examiná-la e fazer procedimentos de rotina ela reagia bem a todos os comandos e estímulos que eles solicitavam. O lado esquerdo do corpo apresentava bons sinais, ela mexia a perna esquerda, a mão esquerda e apresentava um sorrisinho de lado, ou seja, respondia a todas as perguntas mexendo a cabeça e a todos os comandos com o lado esquerdo do corpo. Ainda no dia 3 de maio a fonoaudióloga tentou dar-lhe sopa para comer, mas ela ainda não estava com coordenação para mastigar e engolir. Um passo de cada vez era dado. Seu corpo já demonstrava bons sinais ao conseguir fazer as necessidades fisiológicas, sem nunca ter utilizado sonda externa.
Ao receber a visita de um pastor amigo, ele começou a conversar quando ela estava dormindo, mas ela abriu os olhos e deu um sorrisinho de lado pra ele. Ele orou por ela e quando ele falou que ela ainda iria voltar para casa para cuidar do filho e do esposo ela chorou, o que era considerado um ótimo sinal. Ela estava reagindo muito bem, reconhecendo as pessoas e interagindo com demonstração de alegria e emoção. Ela também fechava os olhos na hora da oração e os abria ao final naturalmente, mostrando que sabia de tudo que se passava ali. 
No dia 4 de maio, ela continuava interagindo, sorrindo e evoluindo sempre, mesmo que em passos curtos. Os médicos demonstravam animação com essa evolução. Nesse dia ela ganhou uma foto 3x4 de seu filho de 3 anos e não quis mais largá-la. Quando a fisioterapeuta, querida amiga nossa, foi visitá-la, minha irmã se mostrou muito inquieta, mas ela não entendia por quê. Minha irmã então fez grande esforço para se virar com o lado esquerdo de forma que ela não tinha feito ainda, só para mostrar que a foto tinha caído no chão. Após conseguir a foto ela se tranquilizou novamente e pediu para colocá-la ao lado da cama.
Até o dia 5 de maio ela se alimentava por sonda gástrica, porém nesse mesmo dia ela conseguiu começar a engolir a sopa dada pelos enfermeiros e os profissionais da saúde a colocaram assentada em uma poltrona.
Além das maravilhosas evoluções apresentadas nesses dias, ainda recebemos a maravilhosa notícia dos médicos informando que minha irmã não estava mais correndo o risco de vida, mas ainda com um quadro que inspirava cuidado.
No dia 7 de maio tivemos uma grata alegria: minha irmã estava na UTI somente para monitoração e realização de mais alguns exames de controle, pois ela acordou muito bem e o estado de sonolência já havia passado e agora ela se apresentava bem acordada. Às 16h, no horário que é permitido a visita na UTI, eu voltei a visitá-la com minha mãe e realmente tivemos a grande satisfação de encontra-la bem acordada e a visita foi bem agradável. No finalzinho da visita o médico veio para apresentar o relatório daquele dia e disse que ela receberia alta logo em seguida, sairia da UTI e seguiria para o quarto. A notícia irradiava alegria em nosso coração!
Nós glorificávamos a DEUS, pois dia a dia Ele havia concedido grandes bênçãos. A evolução da minha irmã é diária e mesmo que se manifeste de pouquinho em pouquinho estamos vendo o milagre vindo de DEUS.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Confiança no cuidado de Deus: em família

Imagem: Family por Bruno, usada sob CC BY-NC-ND 2.0

Por volta das vinte e uma horas meu marido me buscou no serviço e fomos direto para casa dos meus pais. Ao chegamos, reunimo-nos todos em família para conversamos sobre a situação delicada que minha irmã se encontrava. Estavam todos presentes do núcleo familiar: pai, mãe, cunhado, marido e eu. Meu sobrinho estava dormindo. Minha mãe contou todos os fatos ocorridos naquela tarde e enfatizou a frase dos médicos ao fim da visita a minha irmã, pedindo que ela esperasse a notícia sobre a necessidade de realizar a cirurgia. Dependendo de como o corpo dela reagisse naquela noite, talvez fosse necessário realizar a cirurgia às pressas. Se o telefone tocasse, algo relacionado a isso poderia ser dado como notícia. Não era comum que os médicos falassem que talvez entrariam em contato, pois quando o período de visita era encerrado, os familiares só poderiam ter notícia de seu ente internado na UTI por meio do boletim médico das vinte e duas horas, contendo breve e curta análise periódica do paciente. Raramente o hospital ligava para casa do paciente para transmitir alguma notícia.
Como família, aquela notícia nos deixava apreensivos. Então, reunidos, nós sabíamos que tínhamos que continuar orando e confiando no Senhor apesar de tudo. Uma situação nada fácil. Por alguns momentos conversarmos sobre como seria se minha irmã inevitavelmente viesse a fazer essa cirurgia ou como seria se Deus a quisesse levar. Claro que um pouco de tudo passava pela cabeça, mas em nenhum momento nós perdíamos o foco, pois estávamos sempre conscientes que Deus estava no controle de tudo. Entregávamos o desejo do nosso coração ao Senhor, pois naquele momento nossa oração era para que o cérebro da minha irmã desinchasse, que em nenhum momento ela precisasse fazer a cirurgia e que, assim, seu corpo fosse restaurado, completando a cura. Nosso grande desejo era que o Senhor fizesse o melhor segundo Sua vontade, e era para isso que intercedíamos.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Confiança no cuidado de Deus: refrigério

Quando internada na UTI, o quadro que minha irmã encontrava-se era de sonolência, respiração estável e aguardávamos seu corpo reagir. Por poucos momentos ela ficava acordada. Inicialmente a ela somente foi administrado soro na veia, porém, por causa da sonolência e por ainda estar no início da reação ao trauma ela encontrava-se temporariamente sem poder deglutir os alimentos, por isso ligaram a ela uma sonda gástrica, além de um monitor de pressão.
Pela análise clínica o seu quadro era considerado grave, devendo-se ficar sob estrita observação, pois pelo trauma sofrido na parte esquerda do cérebro com comprometimento de 60% o cérebro estava sendo comprimido dentro do crânio por estar inchado e que lhe provocava a sonolência. Se a compressão não diminuísse, havia o risco de inchar mais e, nesse caso, teria que ser realizada uma cirurgia de emergência em que seu crânio teria que ser aberto.
Apesar da situação delicada em que se encontrava, dentro das primeiras 24h internada, ela começou a fazer os primeiros movimentos com o lado esquerdo do corpo, aquele que não sofreu comprometimento com acidente no cérebro. Ela ajeitou a coberta com a mão esquerda, mexia a perna esquerda e abria os olhos. Nos momentos em que abriu os olhos e alguém estava por perto ela já começava a ensaiar algumas interações. Mas os médicos sempre alertavam que apesar dela estar respondendo alguns estímulos seu quadro era muito grave e delicado, com sério risco de morte, situação que, segundo eles, "inspirava cuidado".
Naturalmente, essa situação abalava toda a família. Lembro-me que no dia 2 de maio, logo cedo, ao acessar a internet vi uma publicação da minha mãe do texto bíblico de João 9.1-7:

1 Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença.
2 E os seus discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
3 Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus.
4 É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.
5 Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo
6 Dito isso, cuspiu na terra e, tendo feito lodo com a saliva, aplicou-o aos olhos do cego,
7 dizendo-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que quer dizer Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou vendo.

Em sua publicação minha mãe mostrava que apesar de inicialmente estar angustiada com toda a situação que estávamos sofrendo, após a essa leitura sentiu um refrigério na alma. Sabia que Deus estava cuidando da Patrícia. Creu que Ele, o mesmo Deus que havia curado um cego de nascença, entre tantos outros milagres, tem poder para preservar o cérebro da minha irmã e curá-la.
Em cada momento a Graça de Deus mostrava-se intimamente presente

REFERÊNCIAS

João. Português. A BÍBLIA Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. 2. ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Confiança no cuidado de Deus: a notícia

Inicialmente, para contextualizar a respeito da experiência que será relatada é necessário falar um pouco a respeito da minha família. Nasci em um lar cristão. Tanto meus avós paternos quanto os maternos receberam ensinamentos cristãos vindo da Igreja Presbiteriana do Brasil. O núcleo familiar no qual nasci é composto por quatro pessoas: pai, mãe, irmã e eu. Minha irmã é a primogênita, casada a oitos anos e tem um filhinho de três anos. Também sou casada há dois anos e ainda não possuo filhos. Temos um laço de união e harmonia imensa, portanto um dos maiores receios que sempre tive na vida era do momento em que teria que receber uma má notícia sobre a vida de algum familiar. Sempre rondava minha mente a forma como reagiria a perda de alguém tão próximo de mim. Sempre que me pegava pensando nisso intercedia a Deus e pedia que me preparasse para saber lidar com essas situações e me fizesse forte e confiante nEle. De forma que nem podia imaginar que em tão breve receberíamos uma má notícia. Mas apesar do futuro incerto, eu sempre tive no coração a certeza que Deus estava cuidando de tudo.
A experiência que desejo partilhar começa na madrugada do dia 1º de maio de 2013. Por volta da cinco horas da manhã de um feriado recebo a ligação do meu pai. Quando ouvi meu celular tocando e vi que era meu pai me ligando, naquele momento sabia que alguma má notícia receberia, porque meu pai sempre me liga para conversar questões pontuais e, se era numa hora como aquela, eu já deveria preparar meu coração. Antes de atender o telefone já acordei meu marido e disse que meu pai estava ligando e que eu sabia que algo sério estava acontecendo. No momento que atendi o celular o meu pai disse: “filha, sua irmã está passando mal e chamamos o SAMU, se arruma e vem para cá ficar com sua mãe”. Ele somente falou isso e desligou o telefone.
Naquele exato momento eu pensei que ela devia estar sofrendo uma crise forte de enxaqueca, pois a semana toda ela estava sentindo dores de cabeça, junto a outros sintomas. Inclusive ela foi ao médico, que a receitou um atestado por dois dias. Porém, no caso dessas dores ela estava achando muito estranho, pois o histórico familiar que temos de enxaqueca é provocado por algum alimento que ingerimos, o organismo não processa bem e acabamos tendo dores e isso geralmente não ocorre mais de uma vez na semana. Demora às vezes meses para os sintomas retornarem se cuidarmos bem da alimentação e tomarmos algumas precações. O que vem no caso nesse momento é que achei que era uma crise de enxaqueca, mas ao momento que desliguei o telefone processei o que meu pai tinha falado e pensei que se estavam chamando o SAMU era algo muito sério, não seria somente uma simples enxaqueca, pois quando temos enxaqueca nem procuramos o médico, sempre tratamos em casa. Então liguei novamente para meu pai e perguntei com detalhes o aconteceu. Ele explicou que ela caiu da cama e estava sem movimentar o corpo, que estava bem rígido, com a boca cerrada e somente com os olhos aberto, porém sem expressão.
Ao desligar o telefone contei o fato ao meu marido e a primeira reação que tivemos foi orar a Deus. Pedi ao Senhor que colocasse a sua mão de graça sobre a cabeça da minha irmã. Não sabíamos o que tinha acontecido, mas pedi que preservasse e restaurasse a cabeça dela, que nada acontecesse com sua mente e que se ela tivesse alguma lesão, que Ele a restaurasse. Também pedi de coração que eu conseguisse lidar com essa notícia e estivesse preparada para apoiar minha família, principalmente minha mãe, a qual eu sabia era a pessoa que mais precisaria de mim. Levantamos, nos arrumamos em alguns minutos e fomos para casa da minha irmã. Quanto mais me aproximava de encontrá-la, mais eu ficava apreensiva.